Língua Brasa Carne Flor

Livro de Poesias de Iara Renno publicado pela Editora Patuá.

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Por Luiz Chagas

Quando se fala em poesia erótica somos assaltados pelo temor de que seremos submetidos a palavras como túrgido, felação, lúbrico, coito, entumecido e outros preciosismos (?) que nem o tempo ou a internet conseguiram deletar. Bom mesmo é quando temos a impressão de que o autor jogou o discurso fora e publicou as entrelinhas. Mergulhou no vazio. Sem rede de segurança.

Iara Rennó um dia, muita areia ainda na parte de cima da ampulheta, me convidou para tomar uma cerveja. Delicadamente expliquei-lhe que “não bebia com crianças”. Sua reação foi tão digna e atrevida que não me lembro das palavras, mas imediatamente comecei a vê-la como uma amiga. Acompanhei, literalmente, o seu parto em um palco. Assisti, com enorme prazer, suas aventuras em bando, em banda, seus primeiros voos solo como instrumentista, cantora, compositora, performer. Cedi a cozinha de casa para seus experimentos culinários. Ri muito de suas tiradas e sempre vi com bons olhos suas ousadias na vida. Nunca tive dúvidas de sua inteligência.

Assim, mergulhei em Língua Brasa Carne Flor, seu livrinho de poemas eróticos, sem maiores temores. Sabia sua procedência. Seu pedigree. E não me decepcionei com o “acordo tácito das peles” proposto por Iara. Atravessei sem incomodo o “tridente de Saturno”, as “fendas e vulvas” as conjugações do verbo “sorver”, seguro de que tinha diante de mim preciosas entrelinhas.

Gostei. E assino embaixo de “profissas” como Xico Sá, que prefaciou a aventura, e Kiko Dinucci, que acentuou a ousadia desenhando a capa.


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A partir do livro foi criada a performance multimídia LINGUABRASA CARNEFLOR, em que a própria autora, Iara, interage com vídeos e animações manipulados ao vivo pela artista visual e vj Anna Turra em um ambiente cênico intimista. A dupla cria breves cenas com os principais poemas do livro, sonorizadas pelas interpretações de Arnaldo Antunes, Ava Rocha, Negro Leo, Alice Ruiz, Alzira E, Tetê Espíndola, Anelis Assumpção, Leo Cavalcanti, Arrigo Barnabé, Gustavo Galo e Tulipa Ruiz.